10/03/2023 às 01:07

Entrevista com Eicca Toppinen (Apocalyptica)

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4min de leitura

Eicca Toppinen é violoncelista do Apocalyptica e revolucionou o heavy metal mundial nos anos 1990 com sua banda – primeiro com versões do Metallica e depois com hits 100% autorais e impressionantes. Conversei com ele sobre a vinda no Summer Breeze Brasil e sobre a relação com Sepultura, Sabaton e a série “Wandinha”, da Netflix! Boa leitura!

O que os fãs brasileiros podem esperar do show do Apocalyptica no Summer Breeze Brasil?

Os fãs vão ter um show excelente! Podem acreditar! Estamos na turnê do nosso último álbum “Cell-O”. O setlist será uma combinação de todas as fases da banda. Algumas coisas novas, músicas do Metallica e hits com vocal. Será uma energia grande. O que acontece no show é: roubamos a energia do público e devolvemos. Pelo que sei do Brasil, será algo maravilhoso.

Quais feedbacks vocês receberam do “Cell-O”?

É uma pergunta boa. Tem sito bem positivo o feedback. É um álbum desafiador, que não foi feito para ser ouvido como música de fundo. Requer uma profundidade por parte do ouvinte e quem se aprofundou obteve essa recompensa. O álbum tem muita emoção e muitas camadas. São vários mundos diferentes lá e cada um pode experimentar o disco de maneira particular. Essa é a beleza especialmente da música instrumental. Não vi nenhuma reclamação, mas deve ter tido de pessoas que preferem coisas mais simples! [risos]. Esse é mais desafiador. Estamos muito felizes. Ele representa o que queremos criar.

Poderia falar um pouco sobre a relação do Apocalyptica com o Sepultura?

Sempre fui um grande fã da banda desde que eu era adolescente. Acho que o primeiro álbum que ouvi foi o ‘Chaos A.D.’. Depois, mergulhei em todo material. Uma das primeiras músicas que tocamos, ainda em 1993, foi uma versão de “Inquisition Symphony”, do Sepultura. Eu comprei um vinil antigo do álbum ‘Schizophrenia’ e adorei essa faixa instrumental. Eu tentei fazer uma versão e até hoje é um dos destaques do nosso show! Tocamos sempre! Já tem 30 anos! Isso é quanto amamos o Sepultura! [risos]. Foi ótimo que o Andreas Kisser me chamou para tocar na música ‘Valtio’. Foi uma grande honra. Sou amigo de todos eles e também do Max Cavalera. Não tomo nenhum partido em qualquer desentendimento que eles possam ter tido. Fico feliz sempre que os vejo. Encontro-os sempre, tocamos em festivais juntos e tudo mais. A última vez que os vi, pensei: “Eles estão ficando velhos, mas estão raivosos como nunca!”. Foi algo incrível e energético.

Como é a relação do Apocalyptica com as outras bandas do metal finlandês?

Acho que toda cena do metal finlandês é baseada no fato que todos ajudam uns aos outros. Sempre temos bons momentos em festivais por lá. Nós compartilhamos o que sabemos, compartilhamos informações com as outras bandas. Não tem uma competição entre as bandas de metal na Finlândia, entende? É como uma grande irmandade! Todos se ajudando.

O Apocalyptica começou tocando Metallica. Você já ouviu os singles novos deles? O que espera do novo álbum “72 Seasons”?

Ouvi dois dos últimos singles. Gosto da atitude das músicas e acho legal que eles estejam fazendo as coisas do jeito deles. Estou animado. Agora, sempre que uma banda veterana lança uma banda nova, a sua reação vai depender da sua atitude ao começar a ouvir esse novo som. Se você tem uma expectativa e isso não é preenchido, vai ficar tipo: “Ah, não gostei disso”. Mas não significa que é algo ruim. Depende de qual ângulo você aborda. No caso do Metallica, eles sempre foram muito bons, então você não sabe o que pode vir. Se você esperar que a nova música seja a nova “One” ou “Master of Puppets”, mas aí acaba que a música sai de outro jeito, você fica: “Não era o que eu queria!”. As pessoas julgam muito, porque esperam muito e esperam a nova X ou Y. Eles não escutam as músicas com ouvidos abertos. Eu gostei muito e quero ouvir o novo disco.

Como foi se juntar ao Sabaton na música “Angels Are Calling”?

Eles nos chamaram e foi divertido demais! Foi uma colaboração em vários níveis. Gravamos uma versão da “Fields of Verdun”, depois o Joakim Brodén gravou a nossa “Live or Die”. Fizemos essa versão da “Angels Are Calling”, fizemos shows juntos e tudo mais. Eles são ótimos! Agora, não sei bem sobre esse tema de guerra. Não é muito a minha, para ser sincero! [risos]. Mas eles são maravilhosos e a música é muito divertida. Foi uma das melhores turnês que fizemos.

Como foi participar da série da “Wandinha”? O que achou da série?

Eu gostei muito da série. Foi ótimo que nossa versão de “Nothing Else Matters” tenha aparecido lá no terceiro episódio. Eu também toquei junto a versão da “Paint in Black”, do Rolling Stones. Coloquei no meu reels do Instagram e atingiu 1,5 milhão de visualizações! Nunca tive esses números! Foi um fenômeno. É legal ver o violoncelo nesse patamar. Quando começamos, o instrumento não era esse instrumento cool de agora. Era para nerds e pessoas assim. Nós fomos os primeiros a tornar o violoncelo algo legal! Tocamos Metallica e todos gostaram. Hoje em dia, muitas coisas surgiram e o celo está sendo tratado como nós fizemos no passado. Tem também aquele filme da Netflix chamado “Lords of Metal”, que tem um personagem que toca violoncelo. Eu dei uma aula para ela sobre como atuar tocando metal no celo! 

10 Mar 2023

Entrevista com Eicca Toppinen (Apocalyptica)

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