01/04/2022 às 18:38 Entrevistas

Entrevista: Tony Kakko (Sonata Arctica) fala sobre "Ecliptica", Stratovarius e Jani Liimatainen

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Infelizmente, a aguardada turnê de comemoração dos 25 anos do Sonata Arctica precisou ser adiada e a banda só deve retornar a terras brasileiras em 2023. De qualquer maneira, bati um papo com o vocalista Tony Kakko e falamos sobre muitas coisas!

Desde o lançamento do álbum “Acoustic Adventures – Volume One” até a relação histórica com o Stratovarius, passando por novos trabalhos com Jani Liimatainen e memórias da composição de clássicos da banda. BOA LEITURA!

Gustavo Maiato: Parabéns pelo lançamento do álbum “Acoustic Adventures – Volume One”. Como foi a reação dos fãs até agora? Qual música o pessoal mais curtiu?

Tony Kakko: Obrigado pelo elogio! Todos parecem amar essas novas versões. Ouvi reações muito positivas, isso é algo bem legal. Acho que muitas pessoas gostaram da “For the Sake of Revenge”, por causa do clipe e tudo mais. Essa foi uma surpresa para muitos. É uma música antiga com roupagem nova. Muitos passaram a prestar atenção no conteúdo da letra só agora. Isso é o que almejamos. Dar uma nova vida para músicas antigas. A única coisa negativa que ouvi foi aquele papo: “Isso não é power metal!”, é claro que não, eles estão corretos!

Gustavo Maiato: São versões acústicas né! Não dá para ter bumbo duplo e essas coisas...

Tony Kakko: Você até pode, mas será que vai funcionar? Provavelmente não!

Gustavo Maiato: Teve alguma música que o resultado da versão acústica tomou um rumo completamente diferente de quando vocês começaram a trabalhar os arranjos?

Tony Kakko: A música “Don’t Say A Word" foi bem assim. Não achei que o resultado seria daquela forma. Ficou até perto da versão original, não mudamos muitas coisas. Minha ideia original era bem mais lenta e obscura. Fico feliz que ninguém na banda aprovou (risos)! Me surpreendeu que funcionou tão bem a versão final.

Gustavo Maiato: Muitas dessas músicas foram compostas muitos anos atrás. Como é se relacionar de novo com esses clássicos? Em algum caso, surgiu algum sentimento diferente de quando você compôs lá atrás?

Tony Kakko: A ideia desse álbum de versões acústicas começou quando fizemos uma turnê na Europa em 2019 apenas tocando músicas nossas em versão acústica. Pegamos músicas que sabíamos que funcionavam bem e todos amavam. Foi algo bem legal de fazer, mas é claro que também queríamos trazer coisas novas, que não tocamos muito. As músicas “The Rest of the Sun Belongs To Me” e “For the Sake of Revenge” se encaixam nisso. Quase não tocamos antes. Mas na verdade, não mudei muito a minha opinião sobre as músicas, até porque muitas escrevi originalmente em uma versão acústica. Agora, é como se as músicas retornassem em suas versões originais de como pensei. Foi ótimo pegar essas músicas que ficaram perdidas no nosso catálogo e dar mais uma chance para elas.

Gustavo Maiato: Se você pudesse fazer ao contrário? Pegar uma balada do Sonata Arctica e rearranjar em uma versão power metal! Qual música seria?

Tony Kakko: Oh meu Deus! Bom, antes de virarmos “Sonata Arctica”, a música “Letter to Dana” já existia. Foi a primeira música que compus para o que viria a ser o Sonata. Então, quando pensamos em nos tornar uma banda de power metal, havia uma versão nessa pegada de “Letter to Dana”. Ficou até legal (risos)! Tenho uma memória de como era, mas seria legal. Temos baladas bacanas, qualquer música com uma bela melodia na verdade pode se transformar em qualquer estilo. É só uma questão de como arranjar.


Gustavo Maiato: Muitos vocalistas de power metal apresentam aquela voz aguda, como Timo Kotipelto e Michael Kiske. A sua voz é mais grave e meio rasgada. Como foi para você no começo da sua carreira cantar diferente desses vocalistas que eram suas referências?

Tony Kakko: Sim! Eu era um grande fã de Stratovarius. Ainda sou, mas na época eles eram a maior coisa do mundo para mim! Era a única banda que eu ouvia (risos)! Eu me esforcei muito para cantar como o Timo Kotipelto. Se você ouvir nossos primeiros discos, várias músicas são bem agudas. Era muito alto para mim, para ser honesto. Eu estava lutando contra as músicas, era longe do meu alcance natural e mais confortável. Acho que minha voz não funciona muito bem dessa forma. Tem um tempero interessante quando você alcança uma nota aguda em alguma parte específica, mas uma música inteira assim não acho que funciona bem com minha voz. Meu alcance é até bem grande, vou do grave para o agudo.

Gustavo Maiato: A discografia do Sonata Arctica pode ser dividida entre os quatro primeiros álbuns que foram bem fortes no power metal e depois surgiu uma grande variação de estilos, com álbuns mais para o symphonic ou mais para o rock. Você se lembra do momento exato quando você e seus companheiros de Sonata Arctica pensaram: “Agora não queremos ser conhecidos apenas como uma banda de power”?

Tony Kakko: Musicalmente, o “Reckoning Night” já foi um passo para fora do power metal original. Já tinham coisas esquisitas e no “Unia” realmente mudou muito (risos)! Sobre essa mudança toda, você só pode culpar a mim! Não foi ideia de nenhum dos outros membros da banda. Eles não reclamaram também, estavam sempre felizes com o que eu compunha. Acho que as músicas eram legais, mas realmente o estilo mudou. Se a gente pegar uma música meio estranha do “Unia” e transformar em power metal, acho que as pessoas iam gostar da mesma forma. Quando é esperado que você entregue bananas e você entrega maçãs, você terá um problema aí (risos)! Nós mudamos e tentamos vários estilos, quem sabe vamos para o techno? Nunca se sabe! Não vejo problema em navegar por vários gêneros. Se você pegar o exemplo do Queen, eles mudaram muito também. E deu certo! Acho que o Sonata Arctica tem um núcleo. No próximo álbum, vamos fazer algo mais feliz. Os tempos são sombrios, ninguém precisa de um disco sombrio. Deve ser algo mais inclinado ao power metal do nosso início. Precisamos ter músicas rápidas, isso é o que acontecerá.

Gustavo Maiato: Falando em músicas rápidas, alguns anos atrás vocês regravaram o álbum “Ecliptica”. Como foi a experiência de regravar essas músicas? Qual música você mais gostou de se envolver novamente após todos esses anos?

Tony Kakko: O processo todo foi uma dor de cabeça do cacete (risos)! Foi um favor que fizemos para nossa gravadora no Japão. No começo, negamos, mas eles deram um jeito de nos convencer. O disco seria lançado apenas no Japão, mas depois acabou sendo lançado no mundo todo. Tentamos deixar os arranjos os mais próximos dos originais quanto possível. Essa foi a ideia. Regravar o álbum e ver como ele soaria com as pessoas que estão na banda hoje em dia. As pessoas mudam. Eu encontrei novas formas de cantar. A melhor coisa sobre isso foi ver que quando gravei originalmente muitas coisas eram difíceis. Agora, vi que fiz muitas coisas erradas, mas soaram bem! Precisei reaprender algumas partes e melodias que já havia esquecido. Tem música que tocamos um milhão de vezes ao vivo, como “Full Moon”, e conforme tocamos ao vivo, ela vai mudando um pouco do que era no álbum. Foi uma experiência interessante, mas não tenho certeza se faria isso com outro álbum. Prefiro essas versões acústicas! Fazer uma versão acústica do “Silence”, por exemplo, seria legal.

Gustavo Maiato: Na época do “Ecliptica” você era o tecladista também, certo?

Tony Kakko: Sim! Nós não fizemos muitos shows comigo no teclado. Eu ficava lá sentado atrás do teclado e cantando ao mesmo tempo! Não sei como fiz isso!

Gustavo Maiato: Agora você pode se concentrar no vocal, isso deve ter sido um alívio!

Tony Kakko: Sim! Quando fizemos nossa primeira turnê em 2000 com o Stratovarius e o Rhapsody precisávamos de um tecladista de verdade para que eu pudesse ser o frontman e conduzir o show. Tivemos sorte de encontrar um ótimo tecladista, que foi o Mikko Härkin. Depois, entrou o Henrik Klingenberg, que está até hoje.

Gustavo Maiato: Você usa o teclado para compor?

Tony Kakko: Sim, eu também gravo algumas coisas. Em todo álbum do Sonata Arctica tem uma coisa ou outra no teclado que eu gravei. Se for uma parte mais tranquila ou só uns acordes, eu toco. Não faz muita diferença se for eu ou o Henrik nesse caso. Agora, ele toca piano muito melhor do que eu. Certamente não me atreveria a gravar um solo. Posso compor um solo até, mas ele replica depois com a abordagem dele.

Gustavo Maiato: Falando sobre a importância do Stratovarius, quais memórias você tem dessa relação com eles? A primeira turnê do Sonata foi com eles!

Tony Kakko: Nós aprendemos muito com eles. Sempre foram muito gentis e legais conosco. O Jörg Michael era o cara dos negócios. Ele cuidava de tudo e nos dava conselhos sobre como gerenciar a carreira. Ele nos ajudou muito. Depois dessa turnê, continuamos falando com todos. O Timo Kotipelto e o Jens Johansson inclusive tocaram já em algumas músicas nossas. Fizemos grandes amigos e preciso dizer que ficar sete semanas em um ônibus com o Rhapsody foi uma experiência incrível! Eles eram muito divertidos! Estávamos bem nervosos e eles nos deixaram confortáveis. O engraçado é que naquela época nós havíamos tocado mais shows do que eles. Era a primeira turnê deles, mesmo que eles estivessem no mercado há mais tempo. Eu ouvia Rhapsody bem antes de formar o Sonata Arctica.

Gustavo Maiato: Você fala também com o Timo Tolkki? Qual sua relação com ele agora? Ele deixou o Stratovarius e foi fazer outras coisas...

Tony Kakko: Não tenho contato próximo com ele mais. Eu cantei em um disco solo dele, mas isso tem uns 10 anos já. Nunca mais o vi depois. Sei que ele está fazendo as coisas dele. Infelizmente, não sei bem qual a situação dele no momento. Eu e ele nunca fomos assim tão chegados quanto os outros caras.

Gustavo Maiato: O Sonata Arctica teve dois guitarristas na história: o Jani Liimatainen e o Elias Viljanen. Qual a diferença entre eles? Como essa mudança de guitarrista afetou o som da banda?

Tony Kakko: Bom, o Jani é um cara mais shredder. Um guitarrista bem hardcore e metal! O Elias é tipo um artista, meio Steve Vai. Ele tenta criar coisas novas. O Jani é muito metal e o Elias é tipo AOR. Essa é a grande diferente. Eles são bem diferentes. Não sentimos muito a mudança porque o Elias toca muito bem. Adoraria ter os dois na banda, mas para isso o Jani precisaria aceitar voltar. Essa ideia seria ótima, mas não acho que o Jani ia querer. Nunca digo nunca, quem sabe uma vez podemos contar com ele em um show.

Gustavo Maiato: Você fala com ele atualmente? Já ouviu seus últimos trabalhos com o The Dark Element? (Obs: Entrevista feita antes da divulgação da nova música “All Dreams Are Born To Die”, de Jani, que conta com Tony Kakko no vocal)

Tony Kakko: Sim, falo sempre com ele. Fiz um trabalho com ele recentemente, mas não posso falar ainda! Ele saiu do Sonata Arctica da forma mais amigável possível. Não houve briga nem nada. Ele não queria mais ficar na banda e fazer turnês. O Jani e o Elias são amigos, o Jani aprovou o Elias quando ele se juntou. Na verdade, o Elias estava no estúdio quando gravamos o clipe de “Paid in Full”. Eles se encontraram lá e deu tudo certo entre eles.

Gustavo Maiato: O Sonata Arctica é famoso por músicas com nomes de mulher. Tem alguma história verdadeira por trás desses nomes? São mulheres de sua vida? Por exemplo, “Dana” e “Tallulah”, qual é a história por trás?

Tony Kakko: A música “Letter to Dana” foi o seguinte. A música precisava de um nome. Sou muito fã da série “Arquivo X” e tem uma personagem chamada Dany Scully lá. Pensei que era um nome fácil de se pronunciar (risos)! Essa foi a história por trás. O mesmo se aplica a “Tallulah”. É um nome que encontrei em um filme chamado “Bugsy Malone”. Era um filme com crianças meio com uma vibe gangster. A atriz Joadie Foster fazia o papel da “Tallulah”. Peguei o nome daí! Nenhuma dessas mulheres fizeram parte da minha vida, eu já estava com minha namorada, que hoje é minha esposa, desde que começamos o Sonata Arctica.

Gustavo Maiato: Um dos maiores clássicos do Sonata Arctica é a música “Full Moon”. Qual foi a inspiração para essa música? Você se lembra de como foi o processo de composição?

Tony Kakko: Acho que escrevi em 1996. Foi há muito tempo! Não lembro! Foi em uma época que comecei a ter muitas ideias para música. Eu lembro que escrevi bem rápido. Ela veio na minha cabeça de maneira muito rápida.

01 Abr 2022

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