04/03/2022 às 14:05 Entrevistas

Entrevista com Joakim Brodén (Sabaton): acusações de nazismo, a mulher na guerra e mais

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Não é exagero dizer que o Sabaton é uma das maiores bandas de power metal da atualidade. Capitaneada pelo vocalista Joakim Brodén e pelo baixista Pär Sundström, o quinteto sueco ganhou fama mundial com suas músicas sobre história militar.

Participei de uma entrevista coletiva organizada pela Nuclear Blast com Joakim Brodén e abaixo seguem os principais assuntos abordados. Vale lembrar que no dia 4 de março o Sabaton lança seu novo álbum “The War to End All Wars”.

Sobre a composição de “The Unkillable Soldier”

“Essa música é diferente, pensamos nela quase que com um tom de humor. Sabe, nem a Marvel conseguiria pensar uma história como a do Adrian! (risos). É além de uma comédia de super-herói. No caso dessa música, conseguir informações foi muito fácil, porque existe muita coisa sobre ele on-line. Ele também escreveu um livro com prefácio de Winston Churchill”.

Mulher na guerra pode?

“Nossa nova música 'Lady of the Dark' é sobre uma mulher. O fato de um personagem ser homem ou mulher não é o fator decisivo. O que analisamos é se seus feitos em combate são interessantes. Se for interessante e acontecer de essa pessoa ser uma mulher, isso é algo mais legal ainda, porque é algo mais único e diferente. É inesperado”.

A história do uniforme de Joakim Brodén e por que ele bate no joelho nos shows

“Esse meu uniforme foi o seguinte. Na época, estávamos filmando o vídeo da música ‘Attero Dominatus’. Queríamos algo diferente. A filmagem era em um bunker e precisávamos de algo especial. Um dos nossos guitarristas sugeriu que eu usasse essa roupa e foi estranho demais usar aquilo! Agora, acho normal! Agora, sobre a questão de bater no joelho, basicamente é porque não sei o que fazer com ela! Não tenho cabelo para bater cabeça!! Preciso fazer alguma coisa”.

Sabaton glorifica a guerra? Sabaton é nazista?

“Muitos jornalistas de rock e metal e até mesmo fãs sabem que nós falamos sobre guerra. Mas conforme crescemos enquanto banda, muitas pessoas de fora desse círculo acabam nos descobrindo. Praticamente em todas nossas músicas se você pegar um trecho fora de contexto, pode ser interpretado errado! Se você tocar ‘Rise of Evil’, por exemplo, tem um verso que diz ‘O Reich vai se erguer!’. Você pode achar estranho isso! Então, todos os dias enfrentamos essas críticas. Tradicionalmente, músicas sempre entregam mensagens. As pessoas procuram por mensagens. No caso de filmes, sempre foi tranquilo contar histórias sem ter essa mensagem por trás. Por exemplo, ninguém diz que o Steven Spilberg é nazista por ter feito o filme ‘A Lista de Schindler’! (risos)”.

Significado da tatuagem de Joakim Brodén

“Eu tenho apenas uma tatuagem, que começa na costela e vai pelo braço todo. A história é engraçada, porque não tem nenhum grande significado por trás! Ela foi feita pelo mesmo cara que desenhou o logo do Sabaton. Um amigo meu de infância. Ele tinha acabado de virar tatuador quando fez essa tatuagem em mim. Isso foi em 2008. Disse como queria o estilo e ele falou que faria de graça, mas eu não poderia opinar sobre como seria a tatuagem! Então ele fez naquele estilo free hand. Ele não colocou o desenho em um papel antes, foi direto no meu braço!”.

Por que o Sabaton não tem tecladista?

“Nós tínhamos um tecladista, que era o Daniel Mÿhr, mas nós nos separamos em 2012. Ele disse que pensou em continuar conosco, mas depois refletiu e achou que seria muito puxado. Ele resolveu continuar no mundo da música, mas não tocando tanto quanto a gente. Ficamos sem escolha. Então, veio o álbum ‘Carolus Rex’ e tinha muitas orquestrações que nem se tivéssemos um tecladista, não daria para reproduzir isso ao vivo. Nos discos mais recentes, nem se tivéssemos dois tecladistas não ia rolar. Não seria vantajoso, até porque precisamos programar os vídeos que passam no telão dos shows com uma trilha de click. Precisamos programar também a pirotecnia. Isso tudo precisa ser cronometrado. A grande vantagem de ter uma banda em que todos tocam ao vivo é não precisar seguir o click. Você pode improvisar, mas agora, mesmo que tivéssemos um tecladista, ainda estaríamos presos ao click! (risos)”.

04 Mar 2022

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