16/06/2021 às 20:37 Entrevistas

"Garotas não devem ter vergonha de tocar em uma banda de heavy metal!" - Entrevista com Lala Frischknecht (Burning Witches)

93
6min de leitura

Formada apenas por mulheres, a banda suíça Burning Witches vem ganhando notoriedade no cenário do heavy metal mundial. Agora, com o lançamento de "The Witch of the North", a banda se vê na expectativa da volta aos shows no mundo pós-pandemia, com possibilidade de vinda ao Brasil em breve!

Bati um papo com a baterista Lala Frischknecht, que você confere abaixo! Falamos sobre as inspirações por trás do disco, sobre videoclipes, técnicas de bateria... e também sobre bruxaria! Boa leitura!

Gustavo Maiato: Como foi todo o processo de composição e gravação do novo disco “The Witch of the North”? Estamos no meio da pandemia! Isso influenciou em algo?

Lala Frischknecht: Na verdade, foi mais fácil! Tivemos bastante tempo para escrever as músicas, fizemos as coisas com calma, nos concentrando em cada música de uma vez. Podemos focar 100% no disco, por isso acho que o resultado ficou tão bonito!

Normalmente, estaríamos ocupadas fazendo um monte de shows, mas chegou o momento em que pensamos “ok, garotas, chegou a hora de escrever um novo álbum”, então fizemos assim!

Gustavo Maiato: Esse foi o segundo disco com a vocalista Laura Guldemond. Como você analisa a evolução dela desde o “Dance With The Devil” até agora no “The Witch of the North”?

Lala Frischknecht: Se você comparar o “Dance..” com o “The Witch”, esse último é bem melhor no que diz respeito à composição e também sobre a dinâmica entre as músicas. O anterior também é muito bom, foi o primeiro com a Laura, foi um sucesso!

Nós conseguimos alcançar boas posições nas paradas americanas pela primeira vez! Isso é algo especial, sinaliza que você fez algo certo. Agora, estamos felizes também. A Laura achou sua verdadeira voz, ela ficou mais agressiva e mais melódica do que antes.

Claro que ela é conhecida por esse estilo, mas nesse disco eu achei um trabalho especial dela. Eu amo todas as músicas, não sabemos quais escolher para entrar no setlist dos shows! É muito difícil, cada uma gosta de uma música.

Eu tenho várias favoritas, é ótimo! Já estamos no Burning Witches por um bom tempo e estamos sempre aprendendo, experimentando. Essas experimentações resultaram nesse disco.

Gustavo Maiato: O novo disco tem uma forte influência da mitologia nórdica, certo? Temos músicas sobre Freyja e sobre as Valquírias. Eu acho que a mitologia nórdica apresenta várias figuras femininas bem fortes, muitas deusas importantes e tudo mais. Qual sua visão sobre isso?

Sim, existem muitas deusas nessa mitologia. Na verdade, a Laura é que teve essa ideia de escrever essas músicas sobre a Freyja, sobre as Valquírias e tudo mais. Nós escolhemos esse nome “The Witch of the North” porque foi o nome da primeira música que a Romana Kalkuhl (guitarrista) escreveu para o disco. Nós pensamos que seria legal esse título como título do disco em si.

No final, acabou virando um conceito para o próprio disco. A Laura então começou a estudar sobre mitologia nórdica e desenvolveu todas essas músicas. A Freyja é a deusa do amor e da fertilidade, ficou bem legal o conceito.

Gustavo Maiato: Qual foi a música mais difícil para tocar na bateria nesse disco? Que você teve que trabalhar mais...

Com certeza foi a música “The Witch of the North”! (risos). Ela é meio complicada para mim porque tem muitas tercinas. Para mim, isso é algo especial. Eu amo tercinas, mas elas são complicadas às vezes. Preciso ter cuidado com essa música, estudei muito. Gosto das músicas mais rápidas como a “Dragon´s Dream”, mas essas são bem mais fáceis para mim!

Gustavo Maiato: A Burning Witches tem uma grande influência dos anos 80. Quando falamos em metal nos anos 80 cantando por uma mulher vem logo na nossa cabeça a figura da rainha Doro! Ela influenciou vocês de alguma forma?

Na verdade, não temos nenhuma influência de bandas femininas. Escutamos muitas bandas, claro que temos muito respeito pela madame Doro, ela sempre foi ótima conosco. É a melhor pessoa que já conhecemos na cena metal.

Mesmo assim, não considero uma influência. Eu comecei ouvindo punk e hardcore e ouço isso até hoje. Existem algumas bandas com mulheres nesse meio, mas na verdade simplesmente ouvimos o que amamos.

Nossas maiores influências são Judas Priest e Iron Maiden, isso é o que amamos. Um heavy metal tradicional com um toque de modernidade, um tempero especial. Isso define a música do Burning Witches.

Temos muito respeito por todas as mulheres que continuam lutando pelo seu lugar no metal. Esperamos que nós possamos influenciar garotas que ainda estão escondidas com vergonha de tocar instrumentos.

Ainda que eu não fizesse parte da banda, se eu ouvisse Burning Witches, amaria da mesma forma!

Gustavo Maiato: Na cultura pop, as bruxas costumam ser retratadas como pessoas más, como nos filmes da Disney. Porém, existem algumas histórias, como na série Sabrina, da Netflix, em que as bruxas são boas. Qual história você acha que melhor representa o conceito de bruxa?

Você precisa explicar para as crianças que as bruxas não são más, porque muitas vezes as pessoas interpretam errado e acreditam que as bruxas são pessoas más. Se você fizer algo ruim para alguém, isso volta para você. É a mesma coisa com as bruxas.

Na verdade, existe um filme legal sobre o tema, bem engraçado, chamado “Hocus Pocus” (“Abracadabra”, em português). Acho que eu ficaria com a visão desse filme! São bruxas engraçadas!

Gustavo Maiato: Vocês já lançaram diversos videoclipes para o novo disco “The Witch of the North”. Você gosta de gravar esses videoclipes? Você entende que eles são importantes para criar uma conexão com os fãs?

Sim, claro! Estamos passando por essa merda de epidemia, não temos shows. Então a única coisa que você pode fazer são shows virtuais e lançar videoclipes. Dessa forma, você pode mostrar trabalho aos fãs.

Os fãs amam nosso trabalho, então precisamos dar um presente para eles. Isso vai fazê-los felizes. Para nós, é ótimo que podemos tocar as outras pessoas fazendo o que amamos, com paixão. Não tem preço ver que eles gostaram da nossa música. Quando estamos em um show, é ótimo ver o sorriso dos fãs!

Agora, os shows estão começando a voltar, estamos felizes por isso. Ainda temos restrições, precisamos ter força para que a cena do heavy metal não morra. Precisamos nos manter conectadas com nossos fãs. Será ótimo poder estar com eles pessoalmente e não só pelas mídias sociais.

Gustavo Maiato: Por falar em shows, vocês estão confirmadas no Bullhead City festival que está sendo chamado de “versão menor do Wacken”. Estão animadas para esse show?

Ficamos muito animadas com o convite! Vamos tocar junto com outras bandas grandes como Nightwish. A Doro estará lá também! Tocamos no Wacken em 2018 e foi ótimo. Mesmo que não tenhamos o Wacken propriamente dito esse ano, vamos começar com calma e será um prazer tocar nessa versão menor do festival.

Gustavo Maiato: Os fãs brasileiros podem esperar uma vinda do Burning Witches ao Brasil em breve?

Claro! É só convidar que nós vamos! Vocês têm cidades grandes aí, com grandes bandas. Vocês têm caipirinha, claro! E a praia de Ipanema! (risos). Sei que nós temos muitos fãs no Brasil!

Gustavo Maiato: Por falar no Brasil, quais bandas daqui mais chamam sua atenção?

Eu gosto muito do Sepultura, claro. E também do Violator, acho uma banda muito boa de thrash metal daí!

Gustavo Maiato: Obrigado pela entrevista! Poderia deixar uma mensagem final?

Muito obrigado por todo apoio! Esperamos visitar vocês em breve levando a turnê do álbum “The Witch of the North”! Vamos fazer uns moshs infernais e beber muita caipirinha! (risos).

16 Jun 2021

"Garotas não devem ter vergonha de tocar em uma banda de heavy metal!" - Entrevista com Lala Frischknecht (Burning Witches)

Comentar
Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
Copiar URL

Tags

burning witches Lala Frischknecht nuclear blast

Quem viu também curtiu

23 de Jun de 2021

“Foi o Sid Vicious quem me inspirou a criar o Helloween e o power metal!” – Entrevista com Michael Weikath (Helloween)

16 de Fev de 2021

Entrevista com Mark Jansen (Epica): "Eu nunca tomaria a vacina de covid-19 por mim, mas sim pelos outros!"

08 de Jun de 2021

"Trinta segundos do 'Vera Cruz' levava três dias para ser escrito!" - Entrevista com Roberto Barros (Edu Falaschi)